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A quem se destina este livro?
Ao adúltero? Aos que foram traídos? Ao voyeur? Ao analista? Aos amantes?
Provavelmente a todos eles e ainda mais aos que, por sabedoria, continuam acreditando na possibilidade de um bom livro, capaz de, com sagaz leveza, reunir prazer e conhecimento.
Pode-se, à primeira vista, estranhar o anacronismo do título, inscrito na pedagogia das “dez lições” e no próprio tema. Lutou-se tanto para retirar do código civil essa ingerência indevida na destinação de nossos desejos que a palavra adultério foi quase esquecida, sob uma infinidade de outros modos de dizê-lo.
Para deleite de todos, temos aqui de volta o adultério, livre do domínio da lei, ou melhor, do domínio de várias leis, que zelam pelas escolhas exclusivas e pela fidelidade. A mais importante delas, quando se trata de um livro, estabeleceu que não podem conviver num mesmo exemplar o relato de experiências, os clichês da triangulação amorosa, um estoque considerável de erudição, principalmente literária, a memória cantada nos versos da música popular, as ciências do homem, o senso comum, a psicanálise. Ou seja, justamente os ingredientes buscados para compor as dez lições.
A convivência harmoniosa entre esses saberes distantes ou mesmo rivais mostra que, entre eles, às vezes se firma um pacto de cumplicidade, do qual também o leitor pode e deve participar. Pois todos nós, em algum momento, já estivemos envolvidos numa cena de adultério, como personagem, como platéia ou testemunha, ou até mesmo confortavelmente instalados na poltrona predileta, lendo Madame Bovary, Dom Casmurro ou assistindo à Atração fatal que a infidelidade exerce sobre nós. E que este livrinho adúltero e instigante também provocará.
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